Nesta quarta-feira, 12 de agosto, abre no Distrito Anhembi, em São Paulo, a PET South America 2026, considerada a maior feira de negócios do setor pet da América Latina. São três dias — de 12 a 14 de agosto — com mais de 270 marcas entre indústrias, distribuidores, varejistas e prestadores de serviços.
O pano de fundo ajuda a explicar o movimento: as projeções da Abinpet apontam um crescimento de cerca de 10% no setor pet brasileiro em 2026, levando o mercado à casa dos R$ 80 bilhões. A Abempet trabalha com número parecido, na faixa de 9,6%. Traduzindo para a realidade de quem toca uma tosa: há dinheiro entrando no setor, mas ele não se distribui sozinho. Vai para quem estiver preparado.
Por que esta feira importa para quem vive de serviço, não só de venda
Durante muitos anos, feiras do setor foram vistas como vitrine de produto — lugar para ver embalagem nova e pegar brinde. Essa leitura envelheceu. Especialistas em varejo pet têm defendido que o evento virou um ambiente de decisão estratégica, especialmente para o pequeno e médio lojista que enfrenta a concorrência agressiva das grandes redes e do e-commerce.
Para o banho e tosa, isso é ainda mais verdadeiro. O serviço é justamente a parte do negócio que o marketplace não consegue copiar. Ninguém dá banho num cão pela internet. Enquanto a venda de ração vira commodity de preço, o serviço continua sendo território de relacionamento, técnica e agenda cheia — e é aí que a feira pode render mais.
O que olhar na programação
Alguns destaques merecem atenção de quem trabalha com estética animal:
- Mastergroom — apresentada como a maior competição mundial de tosa e estética animal. Mesmo sem competir, assistir é aula: acabamento, manejo do animal, ritmo de trabalho, escolha de lâmina e tesoura.
- PET Desenvolve / PET Develop — espaço voltado à atualização profissional e ao crescimento de negócios do mercado pet, com foco em gestão.
- PET VET, PET Behavior e PET Creche Summit — conteúdos de saúde, comportamento e creche/day care, um serviço que cada vez mais convive com a tosa no mesmo espaço físico.
- Programação com a CBKC — demonstrações esportivas, atividades interativas e conteúdo sobre criação responsável e socialização.
- Missão do Sebrae — apoio direcionado a pequenos negócios.
Cinco cuidados para não cair em armadilha de compra
Feira é ambiente projetado para gerar impulso. Luz, música, promotor simpático, "condição só hoje". Alguns cuidados básicos:
- Vá com números na mão. Ticket médio do banho, do banho e tosa completo, número de atendimentos por dia, ocupação da agenda, custo de shampoo por animal. Sem isso, qualquer proposta parece boa.
- Defina orçamento antes de entrar. E separe em três potes: reposição do que já gira, teste de novidade e investimento em equipamento.
- Pergunte de giro, não de margem. Margem alta em produto parado é prejuízo lento. Um shampoo caríssimo que rende 60 banhos pode custar menos por atendimento do que o barato que rende 15.
- Negocie o que não está na tabela. Prazo de pagamento, frete, pedido mínimo, amostra para teste, material de vitrine, treinamento da equipe. Frequentemente o desconto está fora do preço.
- Cheque assistência técnica antes de comprar equipamento. Secador, máquina de tosa e mesa hidráulica param. A pergunta certa é: quem conserta, em quanto tempo, e onde fica a peça de reposição?
Depois da feira: o plano de 30, 60 e 90 dias
O maior desperdício não é gastar demais na feira — é voltar com trinta cartões, dois catálogos e nenhuma decisão. Sugestão prática:
- Primeiros 30 dias: testar no máximo dois produtos novos, com medição. Escolha um grupo de clientes, aplique, registre no cadastro do pet e pergunte a percepção do tutor. Se o seu sistema de gestão permite anotar produto usado e observação por atendimento, o teste vira dado, não achismo.
- Até 60 dias: revisar precificação. Se você trouxe insumo melhor, o serviço premium precisa aparecer no cardápio com nome, escopo e preço próprios — hidratação, tosa higiênica, desembolo, spa. Vago não vende.
- Até 90 dias: consolidar fornecedores. Menos parceiros, volume maior, condição melhor.
E quem não vai à feira?
Não é preciso estar no Anhembi para aproveitar o ciclo. Acompanhe os lançamentos divulgados durante a semana, liste dois ou três itens que fazem sentido para o seu perfil de cliente e leve essa lista ao seu distribuidor local — geralmente ele volta da feira com condições novas e metas para bater. Pedido feito na semana seguinte costuma ser bem recebido.
O recado de fundo é o mesmo para todo mundo, em São Paulo, Lisboa ou no interior: em um mercado que cresce perto de dois dígitos, quem só reage à demanda perde espaço para quem planeja o próximo trimestre.
Fontes
- Mercado pet deve movimentar R$ 80 bilhões no Brasil até o fim de 2026
- PET South America 2026 deve impulsionar decisões de negócios em mercado pet que caminha para R$ 80 bilhões
- Pet South 2026 une capacitação, negócios e bem-estar canino em SP
- Página inicial - PETSA | 12 a 14 de agosto de 2026
- Eventos pet e veterinários de 2026 já movimentam a agenda do setor