Os indicadores atualizados do mercado pet brasileiro em julho de 2026 desenham um cenário difícil de ignorar: 166,8 milhões de animais de estimação, alta de 2,33% em relação a 2024, e um setor com faturamento projetado em R$ 81,24 bilhões no ano. O Brasil segue como a terceira maior população pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, com média em torno de 1,8 animal por domicílio.
São números bonitos de citar em post de Instagram. Mas a pergunta que importa para quem tem banho e tosa é outra: o que isso muda na minha agenda de terça-feira? Vamos por partes.
Mercado grande não significa cliente fácil
Crescimento de mercado atrai concorrência. Levantamentos do setor mostram milhares de microempreendedores individuais atuando em atividades ligadas ao universo pet apenas na cidade de São Paulo — de prestadores de serviço a cuidadores e pequenos comerciantes. Isso significa tosador autônomo, leva-e-traz, banho a domicílio e salão de bairro disputando o mesmo cliente que você.
A consequência prática é dura: a diferenciação por preço é a mais frágil de todas. Sempre haverá alguém disposto a cobrar R$ 10 menos. O que sustenta preço é previsibilidade (horário cumprido), técnica (tosa que fica como combinado), segurança (manejo e histórico do animal) e relacionamento (o cliente sente que alguém conhece o Thor).
Cães ainda mandam, mas o gato mudou o jogo
Os cães seguem no topo — algo em torno de 62,5 milhões de animais — e continuam sendo o coração do faturamento de qualquer salão. Mas a curva mais interessante é a dos felinos. Dados de entidades do setor mostram os gatos avançando em ritmo mais acelerado do que os cães, com projeções de crescimento relevante da população felina até 2030. As razões são estruturais e não vão se reverter: verticalização das cidades, imóveis menores, rotinas mais apertadas e custo de manutenção menor que o de um cão de médio ou grande porte.
Para o banho e tosa, isso abre uma janela óbvia e mal explorada:
- Atendimento felino especializado, com horário exclusivo, sala separada, ambiente silencioso e manejo de baixo estresse.
- Serviços de valor alto e tempo curto: corte de unhas, escovação, remoção de nós, tosa higiênica, banho a seco.
- Precificação premium justificada, porque exige treino, paciência e estrutura — não porque "gato dá trabalho".
Quem estrutura atendimento felino de verdade cria uma vantagem que dificilmente é copiada no curto prazo, porque depende de treinamento e reputação, não de equipamento.
Onde está o dinheiro dentro do setor
O grosso do faturamento pet no Brasil continua concentrado em alimentação, com serviços veterinários e gerais em segundo lugar e a fatia de pet care completando o bolo. Isso costuma desanimar quem presta serviço — mas deveria animar. Duas leituras:
- Serviço não compete com ração, ele complementa. Vender produto no salão (cosmético usado no banho, escova adequada, antipulgas) aumenta ticket sem aumentar tempo de bancada.
- Serviço tem recorrência natural. Ração o cliente compra no mercado ou no e-commerce. Tosa ele precisa marcar com alguém — e esse alguém pode ser você, a cada 6 semanas, por anos.
Três alavancas para capturar o crescimento
1. Recorrência programada. Não espere o cliente lembrar. Ao finalizar o atendimento, já agende o próximo com base no tipo de pelagem: poodle e shih tzu em 4 a 6 semanas, raças de pelo curto em intervalos maiores. Um lembrete automático dias antes reduz falta e buraco na agenda — que é receita perdida que nunca volta.
2. Precificação por realidade, não por porte apenas. Dois cães do mesmo peso podem exigir tempos radicalmente diferentes. Cobre por porte mais condição do pelo (nós, subpelo, sujidade), comportamento e tipo de tosa. Registre o tempo real de cada serviço por um mês: quase sempre aparece um serviço que dá prejuízo e ninguém sabia.
3. Dados do próprio negócio. Com um mercado de R$ 81 bilhões, o risco não é falta de demanda — é gerir no escuro. Saber quais clientes não voltam há 90 dias, qual serviço tem melhor margem por hora e qual horário fica vazio vale mais do que qualquer projeção nacional. É exatamente para isso que serve um CRM feito para o setor, como o Mimos: histórico por animal, agenda, lembretes e relatórios num lugar só.
Conclusão: o número que importa é o seu
Os 166,8 milhões de pets e os R$ 81,24 bilhões dizem que o vento está a favor. Mas quem cresce nesse cenário não é quem tem o mercado maior — é quem tem o processo melhor. Reveja o mix de serviços, abra as portas para os gatos, organize a recorrência e olhe os seus próprios indicadores todo mês.
O tamanho do bolo já foi definido pelo mercado. A sua fatia depende de gestão.